31 de março de 2010

Toda mudança é fecunda...


Armando Nogueira, exímio jornalista, iniciou uma nova jornada em sua vida. Partiu do campo terrestre/humano, para um mundo do qual ainda iremos ser apresentados.

Confesso que não sei de muita coisa da história desse grande homem do jornalismo brasileiro, em especial, do jornalismo esportivo brasileiro. Já vi e li várias matérias a seu respeito. Assisti a diversos programas do estilo mesa redonda, onde ele sempre nos brindava com palavras de perfeita sintonia para com a realidade daquele momento.

Armando Nogueira nasceu no Acre, em 14 de janeiro de 1927. Faleceu em decorrência de um câncer no cérebro em 29 de março de 2010.

Durante 83 anos, quem o assistia e lia suas colunas esportivas, era brindado com rara inteligência, senso crítico e até mesmo sarcástico, diante do mundo esportivo.

Não é meu objetivo homenagear esse ícone do jornalismo brasileiro. Eu não teria palavras para tanto. Mas confesso que me emocionei com a notícia de sua morte. Uma morte que nunca esperamos, seja de quem quer que seja. Achamos que somos eternos e que nem um câncer no cérebro é capaz de nos derrotar.

Mas a morte desta personalidade brasileira, me fez refletir sobre algo bem profundo.

Na manhã daquele dia 29 de março, como de costume, sentei-me à frente da TV para tomar meu café da manhã e assistir ao início do programa Redação Sportv, canal pago da Sky. Ao iniciar o programa, o jornalista André Risek, consternado, deu a notícia do falecimento de Armando Nogueira.

O programa passou então a render homenagens àquele que era um dos membros cativos daquela mesa redonda bem como idealizador de diversos outros programas da grade da TV Globo. Várias entrevistas foram mostradas, reportagens, etc. Mas uma entrevista em especial, me chamou atenção.

Num tom sereno, Armando Nogueira disse que "toda mudança é fecunda":




"Eu saí de casamento, eu mudei de casa, eu mudei de emprego, eu mudei de amigo, eu mudei de roupa, eu mudei de hábitos alimentares, eu mudei de bebida, eu mudei de leitura... e constatei apenas uma coisa: toda mudança é fecunda. Toda mudança é fecunda. E existe uma mudança extrema na vida do ser humano que é a mudança da vida para a morte, que eu também considero fecunda. Não sei o que virá depois, mas eu tenho uma desconfiança. Tenho uma desconfiança. É que quem morre muda e quem muda melhora. E eu tenho notado - porque eu tenho muitos amigos que morreram - eu tenho notado que todos eles melhoraram com a morte. E eu não tô desejando a morte, mas também não estou considerando a morte o fim do mundo. Pode ser o começo de um outro mundo porque a vida é exatamente mudar!"
Fiquei estupefato com essa lição de vida. Mudar, mudar, mudar... Toda mudança é fecunda.

Toda mudança é fecunda! Toda mudança mata, mas ao mesmo tempo faz renascer. Toda mudança gera desconhecimento... mas a palavra que invade minha alma e ecoa em meus pensamentos é mudar!

Foi preciso um mestre das palavras como Armando Nogueira morrer, para me fazer entender a amplitude do significado da palavra mudança.

Afinal, toda mudança é fecunda porque a vida é exatamente mudar.

Que a Páscoa que se aproxima seja não só um período de reflexão, mas principalmente um período de mudanças. Seja mudança comportamental, mudança de hábitos, mudança de ideais, mudança de conceitos, paradigmas, enfim... uma mudança que seja compatível o coração de cada um de nós.

Jesus mudou os paradigmas de sua época. Mudou conceitos. Mudou opiniões. Mudou ideais. Mudou regras. Mas creio eu, na minha humilde análise, que uma das principais mudanças que Ele proporcionou aos que estiveram em Sua presença, e que se reflete até os dias de hoje, foi e é a mudança de OLHAR, no sentido amplo da palavra.

Muitas vezes olhamos situações em nossa volta com os nossos olhos humanos e falhos, fazendo com que tenhamos uma percepção equivocada de tudo ao nosso redor. Consequência certa de conceitos prévios que afetam drasticamente o relacionamento entre toda uma comunidade, gerando discussões, desavenças, brigas... enquanto o correto seria olhar com o coração, com paz de espírito, reconhecendo-se pequeno quando necessário, tendo sempre a humildade de pedir perdão nos erros como também saber olhar com misericórdia aqueles que erram e que precisam ser corrigidos.

Jesus morreu por nós, mas o seu renascimento nos trouxe esperança. A esperança de mudança. A esperança de que nada será em vão. A esperança que se plantarmos agora, certamente colheremos lá na frente. A esperança de que toda mudança é fecunda e que na vida nada se cria, nada se perde, tudo se transforma, tudo muda.

Mudança. Mudemos. Que caiam as escamas de nossos olhos humanos, para que tenhamos a serenidade, humildade e principalmente a virtude de enxergamos com olhos da caridade, do respeito e principalmente do coração.

Toda mudança é fecunda! Toda mudança é fecunda!

Obrigado a Armando Nogueira, que mesmo em sua morte, me deixou uma lição de vida!

21 de março de 2010

Toda forma de amor - Lulu Santos

"Eu não pedi pra nascer
Eu não nasci pra perder
Nem vou sobrar de vítima, das circunstâncias..."




19 de março de 2010

Evangelho São Mateus 1,16.18-21.24


Jacó foi pai de José, marido de Maria, e ela foi a mãe de Jesus, chamado Messias.
O nascimento de Jesus Cristo foi assim: Maria, a sua mãe, ia casar com José. Mas antes do casamento ela ficou grávida pelo Espírito Santo. José, com quem Maria ia casar, era um homem que sempre fazia o que era direito. Ele não queria difamar Maria e por isso resolveu desmanchar o contrato de casamento sem ninguém saber. Enquanto José estava pensando nisso, um anjo do Senhor apareceu a ele num sonho e disse:
- José, descendente de Davi, não tenha medo de receber Maria como sua esposa, pois ela está grávida pelo Espírito Santo. Ela terá um menino, e você porá nele o nome de Jesus, pois ele salvará o seu povo dos pecados deles.
Quando José acordou, fez o que o anjo do Senhor havia mandado e casou com Maria.
Bíblia Sagrada – Nova Tradução na Linguagem de Hoje

Bom dia!

Reparem a mudança drástica na dinâmica da quaresma para celebrar a memória de um homem santo – José.

José não foi santo por ter sido pai adotivo de Jesus, mas por ter aceitado a grande responsabilidade de criá-lo e educá-lo; não foi santo por ser esposo de Maria, mas por ter abraçado com ela a felicidade de ser a escolhida; não foi santo por ser ator principal de um momento como Davi, Moisés, Jacó, Abraão, (…), mas por humildemente ficar no backstage (ou camarim), vendo seu filho crescer em estatura e em sabedoria (Sugestão: Veja também o outro evangelho proposto para hoje Lucas 2, 41-51).


“(…) E Jesus crescia em estatura, em sabedoria e graça, diante de Deus e dos homens”. (Lucas 2, 52)

  • José: O “protetor da igreja católica”
Não era seu problema, não era sua luta, não era seu filho, mas abraçou o problema como seu; arregaçou as mangas, levou sua família para o Egito, lutou por eles; ao filho adotivo ensinou a arte da carpintaria, mesmo que hoje relatos arqueológicos digam que ele poderia ter sido pedreiro; ensinou a lei, o respeito as tradições e o valor de ser e ter uma família.

O problema que tinha em seus braços era a própria igreja que temos hoje. Ela, na pessoa de Jesus, um bebê indefeso, filho de uma jovem moça consagrada ao templo que segundo os costumes poderia ter sido apedrejada (lapidada). Quantos ainda hoje aproveitam as fragilidades humanas dentro da nossa igreja para também atacá-la com pedras? No passado o passado da inquisição, hoje as fraquezas da carne, amanhã o que virá? Quantos dragões ainda deverão ser vencidos?

“(…) Varria com sua cauda uma terça parte das estrelas do céu, e as atirou à terra. Esse Dragão deteve-se diante da Mulher que estava para dar à luz, a fim de que, quando ela desse à luz, lhe devorasse o filho. Ela deu à luz um Filho, um menino, aquele que deve reger todas as nações pagãs com cetro de ferro. Mas seu Filho foi arrebatado para junto de Deus e do seu trono. A Mulher fugiu então para o deserto, onde Deus lhe tinha preparado um retiro para aí ser sustentada por mil duzentos e sessenta dias. Houve uma batalha no céu. Miguel e seus anjos tiveram de combater o Dragão. O Dragão e seus anjos travaram combate”.
(Apocalipse 12, 4-7)

  • José: O “padroeiro das famílias”
Enquanto os anjos lutavam contra o dragão, na perspectiva e visão de João Evangelista, José era a proteção mais próxima de Maria e do Jovem Senhor. Nossos pais devem entender nessa mensagem a grande missão que existe na paternidade: Ser a pessoa mais próxima e responsável pela segurança de sua família.

Zelar pela segurança hoje é ensinar valores, ser exemplo, participar, acompanhar, (…), pois os dragões que enfrentamos hoje têm sete cabeças; As drogas, a violência, o abandono, o abuso, a intolerância, o desamor e a falta de fé.

Acho profundamente descabido a frase que “Deus não é padrasto”, pois sob a guarda de um que ele deixou seu bem mais valioso. Esse deve ser um grande alerta aos pais que hoje não se comportam como pais e vem de suas poltronas seus filhos sendo presos, frequentando locais inadequados a sua idade, chegando em casa tarde e embriagados; jogarem fora sua perspectiva de futuro para ficar brigando nas praças e postarem a rinha de galos no Youtube. (…). Ser pai é ter coragem de ir ao deserto para salvar seu filho.

  • José: O “padroeiro dos trabalhadores”
Ser pai, ser um José é ser tudo isso e ainda por cima ir a luto para manter a casa e a condição de vida. É acordar cedo pra ir para o escritório ou vender frutas; abrir a loja ou catar latinhas, (…). Não importa aonde, mas que vá a busca de algo seguro e confiável, para que no futuro, como José, possa ver seus filhos crescerem na graça e sabedoria e no fim repousar sobre a sobra do altíssimo, como mais um José que alcançou o paraíso e recebe, na sua nova morada, o título de santo e bom pai.

Valei-me São José!
Um imenso abraço fraterno.

Fonte: Blog Deus é Maior, por Alexandre Soledade

18 de março de 2010

E já se passaram 12 meses...


Dia 18 de março de 2009.

Capela Santa Rita.

Eu, Camila e Werberth Carlos na compania do Pe. Kiko mais uma "meia dúzia de gato pingado" iniciávamos uma obra. Aliás, uma grande obra com as bênçãos dos céus.

18 de março de 2009 é a data que marca o início das atividades do Grupo Jovens Sarados em Cuiabá!

Depois de ter vivenciado aquela experiência fantástica no carnaval de 2009 em Atibaia/SP, Pe Edimilson nos deu essa missão: iniciar o grupo aqui em Cuiabá/MT.

O grupo Jovens Sarados Cuiabá é o primeiro fruto daquele retiro de carnaval com os JS/SP! Depois de Cuiabá, vieram tantas outras cidades como Caraguá, Tiradentes, ABC e, recentemente, ficamos sabendo da agradável notícia de que até em Natal - Rio Grande do Norte, o carisma dos Jovens Sarados também estará chegando em breve.

Sim, hoje é aniversário do Grupo aqui em Cuiabá/MT! 1 ano de muitas alegrias, muita oração, muito comprometimento e porquê não dizer: muitas brigas também!

É claro! É natural! Somos humanos e falhos mas sempre queremos fazer o melhor! Idéias diferentes vão surgir sempre (ainda bem!!) mas o propósito será sempre o mesmo!

Parabéns aos Jovens Sarados, missão Cuiabá/MT!

Parabéns ao Jovens Sarados Brasil!

E um agradecimento especial ao Padre Edimilson porque, graças a ele e por inspiração divina, esse projeto que é de Deus, está dando frutos e levando o evangelho a inúmeros jovens de todas as idades país a fora!

Que Deus abençoe a todos nós e nos conceda força, serenidade e acima de tudo, fidelidade para com Sua obra! Amém!

17 de março de 2010


Tudo bem, na voz de Ana Carolina...

"Já não tenho dedos pra contar,
de quantos barrancos despenquei
de quantas pedras me atiraram
de quantas atirei..."

16 de março de 2010

Afetividade refinada

Alguns meses atrás, eu estava assistindo a uma pregação do Pe Fábio de Melo que me chamou atenção.

Ele falava sobre a questão da afetividade humana, muitas vezes ferida, mal tratada e até mesmo esquecida, quando lidamos com as pessoas em nossa volta.

E fez um comparativo interessante. Ele disse que não podemos ter uma afetividade refinada. Um açúcar refinado, por exemplo, ele é digerido mais facilmente e por isso, nosso organismo não tem um trabalho para gastar energia e dissolver aquela glicose. Consequência disso? Obesidade.

Por isso, devemos dar preferências a alimentos integrais, quando o organismo tem que trabalhar mais para digerir o que está em nosso corpo fazendo com que haja um maior gasto calórico.

Obviamente que ressalvando as devidas proporções, comungo desse mesmo ensinamento do Pe. Fábio. Vivemos hoje num mundo onde a grande maioria das pessoas busca relacionamentos refinados, seja em sua afetividade, seja no tratamento entre as partes.

Muitas pessoas carregam em seu subconsciente problemas de relacionamentos que tiveram durante a infância, adolescência, ou até mesmo na fase adulta. Muitos desses problemas tiveram origem familiar, seja por brigas entre os pais, separação e até mesmo agressões físicas.

Aquela pessoa que vivenciou toda essa narrativa carregará, para sempre em sua memória, lembranças daquele período. Terapias e acompanhamentos psicológicos podem ter o condão de amenizar aquelas lembranças ou, até mesmo, fazer com que elas sejam encaradas com outra realidade. Mas jamais serão esquecidas.

E aí reside o problema quando tratamos de relacionamentos afetivos.

Devemos ter em mente que a pessoa que buscamos para ser nosso marido/esposa, namorado/namorada, não tem culpa do nosso histórico afetivo/sentimental.

Não devemos projetar na outra pessoa a felicidade que não obtivemos no passado; não podemos fazer nosso(a) parceiro(a) refém de uma situação da qual ele(a) nunca fez parte. Seria como imputar um crime a alguém, sem ao menos lhe conceder um direito de defesa.

Infelizmente, isso é mais comum do que se possa imaginar. A grande maioria das pessoas, de maneira inconsciente, acaba buscando no outro um refúgio, um porto seguro, uma baía calma de águas límpidas e serenas, ao invés de querer e ansiar por alguém que possa ser seu companheiro(a) para o resto de sua vida e compartilhar com ele(a)todas as alegrias e tristezas que cercam um relacionamento.

Esquecemos que a pessoa que estará ao nosso lado não vivenciou aquela situação desagradável que tentamos esquecer mas, ao mesmo tempo, projetamos nessa mesma pessoa, a solução desse problema. Esquecemos que queremos alguém para amar e não para culpar. Isso é um equívoco abissal.

Como dito anteriormente, não temos mecanismos para desativar do nosso cérebro toda aquela situação que lutamos para esquecer. Mas temos mecanismos para conviver com essa mesma situação de uma maneira menos dolorosa. Entregar nas mãos do Senhor todas as nossas feridas sentimentais é o primeiro passo.

Lembro-me de uma conversa que tive com meu pai, sobre relacionamentos afetivos. Ele me confidenciou que os motivos que o levaram a se casar com minha mãe não são os mesmos motivos que o levaram a estar com ela até hoje... Gente, isso é de uma profundidade incrível. Me fez refletir muito sobre o que eu penso sobre relacionamentos e sobre o que eu almejo em relação a eles.

Sabemos que não existe príncipe encantado, tampouco princesa encantada. Todos temos nossos erros, faltas e falhas. Vamos errar muito durante a longa jornada de nossas vidas, seja ela pessoal e/ou afetiva. Mas jamais devemos atribuir aos outros os erros por nós cometidos, seja por ingenuidade, sejam por feridas do passado.

A felicidade e o amor são uma decisão. Queira dar certo. Queira ser feliz. Problemas vão surgir sempre, mas devemos nos adaptar às realidades nas quais seremos os personagens principais.

Relacionamentos integrais não é sinônimo de cobrança sem fundamento, não é sinônimo de descarga emocional, muito menos prisão afetiva.

Relacionamento integral é aquele que palavras nunca dizem nada, quando os olhares podem dizer tudo.

A maior prisão que podemos ter na vida é aquela quando a gente descobre que estamos sendo não aquilo que somos, mas o que o outro gostaria que fôssemos. Geralmente quando a gente começa a viver muito em torno do que o outro gostaria que a gente fosse, é que a gente tá muito mais preocupado com o que o outro acha sobre nós, do que necessariamente nós sabemos sobre nós mesmos.O que me seduz em Jesus é quando eu descubro que nEle havia uma capacidade imensa de olhar dentro dos olhos e fazer que aquele que era olhado reconhecer-se plenamente e olhar-se com sinceridade. Durante muito tempo eu fiquei preocupado com o que os outros achavam ao meu respeito. Mas hoje, o que os outros acham de mim muito pouco me importa (a não ser que sejam pessoas que me amam), porque a minha salvação não depende do que os outros acham de mim, mas do que Deus sabe ao meu respeito.
Padre Fábio de Melo